todas as mãos no bolso são as suas mãos
todos os nãos são os seus: em leque, em flor, e se abrem para mim feito um mostruário
todos os dias são os dias em que você não está
de noite todos os fantasmas colocam uma máscara do seu rosto e me fazem dormir. logo, meu monstruário também é você.
sua nuca é todas as nucas da rua.
todo pão é aquele não comido por sua boca.
todo pesar é meu por não cuidar da raiz que te alimenta
na fila do hospital, todos os doentes são você na desesperança e não são você nos detalhes.
toda gaze suja é seu sangue ralo
toda gaza seu paraíso particular
vem ver
todo portal que não te vê passar
toda tramela que não se vira ao movimento do seu corpo
todo meio fio que não te contém
a calha que não te escorre o galho que não verga
ao tentar seu sustento
calma, isto não pretende ser amor
só palavra
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