orientações sobre contar estórias
escolha um dia da semana com tráfego intenso e luz natural
esteja em sua casa. marlon brando dizia "o duque em seus domínios" sobre outra coisa, mas está valendo
não vá sentar na cama ou sofá, forre o chão e fique frente a frente com o ouvinte que deve estar à vontade mas não muito....
ele está ali e será preso pelas garras da estória, não pode ir longe nem sair ileso, como poderia estar à vontade?
sem toques
um corpo não encontra outro corpo em nenhuma hipótese, a estória encontra o corpo, o corpo encontra a estória
o único momento em que pode existir o toque, é quando quem conta retira o relógio do pulso de quem ouve. é preciso cuidado. o único tempo permitido é dos acontecimentos e o do escurecer. à coluna também é permitido marcar o tempo usando a dor
o relógio que anda para trás, presente da viagem ao uruguai, pode ser usado para confundir
o batom não
o batom é obrigatório mas não como distrator. ele organiza as bocas, a boca que conta a estória precisa ter os lábios cor de rosa antigo
(passe o batom com a ponta dos dedos)
braços e colo precisam estar descobertos, parte da estória será contada por eles
quem ouve precisa perguntar, inclusive com os olhos e objetos. quando o ouvinte desliza a mão sobre algum objeto, persiga o gesto, entre no jogo
a narradora inventa o que quiser. os móveis não saem do lugar quando escutam uma mentira. lustres reviram os olhos mas é só isso.
é importante que, no meio das mentiras, se conte um segredo jamais revelado. quem escuta nunca saberá qual o segredo, mas o alívio de quem conta abre os ossos da bacia, eriça os cabelos, faz ondas no corpo
ali a voz fica mais suave
está proibido sussurrar ou rir com o canto da boca
pode ter chá, nunca pode ter café
olhar nos olhos é permitido desde que com juramento prévio de que será apenas olhar nos olhos e depois olhar nos olhos
em casa, com os olhos, ouvidos e boca em movimento, o tempo como testemunha, a cidade como fuga, os papéis como desculpa
escuta
o que o desejo despista
com palavras
escolha um dia da semana com tráfego intenso e luz natural
esteja em sua casa. marlon brando dizia "o duque em seus domínios" sobre outra coisa, mas está valendo
não vá sentar na cama ou sofá, forre o chão e fique frente a frente com o ouvinte que deve estar à vontade mas não muito....
ele está ali e será preso pelas garras da estória, não pode ir longe nem sair ileso, como poderia estar à vontade?
sem toques
um corpo não encontra outro corpo em nenhuma hipótese, a estória encontra o corpo, o corpo encontra a estória
o único momento em que pode existir o toque, é quando quem conta retira o relógio do pulso de quem ouve. é preciso cuidado. o único tempo permitido é dos acontecimentos e o do escurecer. à coluna também é permitido marcar o tempo usando a dor
o relógio que anda para trás, presente da viagem ao uruguai, pode ser usado para confundir
o batom não
o batom é obrigatório mas não como distrator. ele organiza as bocas, a boca que conta a estória precisa ter os lábios cor de rosa antigo
(passe o batom com a ponta dos dedos)
braços e colo precisam estar descobertos, parte da estória será contada por eles
quem ouve precisa perguntar, inclusive com os olhos e objetos. quando o ouvinte desliza a mão sobre algum objeto, persiga o gesto, entre no jogo
a narradora inventa o que quiser. os móveis não saem do lugar quando escutam uma mentira. lustres reviram os olhos mas é só isso.
é importante que, no meio das mentiras, se conte um segredo jamais revelado. quem escuta nunca saberá qual o segredo, mas o alívio de quem conta abre os ossos da bacia, eriça os cabelos, faz ondas no corpo
ali a voz fica mais suave
está proibido sussurrar ou rir com o canto da boca
pode ter chá, nunca pode ter café
olhar nos olhos é permitido desde que com juramento prévio de que será apenas olhar nos olhos e depois olhar nos olhos
em casa, com os olhos, ouvidos e boca em movimento, o tempo como testemunha, a cidade como fuga, os papéis como desculpa
escuta
o que o desejo despista
com palavras
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