quando alguém fala contigo
usando uma língua
que não é a sua
o corpo é quem responde
as mãos fazem as perguntas
sobre como deve ser a chuva naquele país
como se o país estivesse ali
nos sulcos da velha pele
na cintura todos os combates
e covardias
nas orelhas o futuro em forma de gritos
infantis (pulos n'água, rayuelas)
entre os dedos do pé as tragédias que
uma bota esconde, uma sola,
então solo firme a guardar o que não
pode ser enterrado
nas pálpebras o caminho de árvores da
primeira rua de sua vida
cosmos era o nome daquela flor amarela
a voz que vem da língua bolina um mapa,
o que deve evitar a deriva
mas nas mãos do viajante estão prontos
para zarpar dois compatriotas:
o amor e a dúvida
Nenhum comentário:
Postar um comentário