experimenta quebrar um dente
e passear a língua pelo buraco, rente
o que ela sente, enorme cratera
é cesura apenas
tímida fenda
não é que seja mentira da língua
a língua nunca mente
cava algo no oco
procura
retorna inútil e se deita
decidida a esquecer
ao voltar, pouco depois
descobre que deve guardar o vão
imaginar grandes terras
onde nada existe
tender ao sólido como salvação
a língua pensa que o dente é um continente
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